A Prefeitura de Guarabira, entrega no próximo dia 4 de julho, a revitalização do antigo prédio da Estação Ferroviária de Guarabira-PB e a revitalização do seu entorno, transformando-se no "Parque da Estação" que foi tombada por sua importância cultural para o Estado pelo IPHAEP – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba, através do decreto n° 21.290, de 11/09/2000.
GUARABIRA
A fundação da cidade de Guarabira vem do ano de 1694, em terras do Engenho Morgado, pertencente a Duarte Gomes da Silveira. Conta-se que em 1º de Novembro de 1755, com um grande terramoto que atingia Portugal, tendo apenas na capital, Lisboa, matado mais de 40.000 pessoas, destruindo vilas e povoados, um senhor, por nome de José Rodrigues Gonçalves da Costa, tomado de pânico, fugiu de Póvoa de Varzim, na província de Porto, sua terra, em direção ao Brasil. O Sr. José Rodrigues chegava as terras do antigo Engenho Morgado com toda sua família, construindo no local uma capela, como era tradição da época, e colocando a imagem de Nossa Senhora da Luz que trouxera de Portugal, a quem tinha grande devoção, cumprindo sua promessa em chegar a terras que não houvesse terremoto para descansar sem temor. Embora o padre João Milanez já tivera construído uma capela dedicada a “Nossa Senhora da Conceição”, em 1730, por estas terras, foi feita a substituição da imagem tendo em vista a grande comoção dos presentes pela história do “Beiriz”, como ficou conhecido no povoado.
Assim, a partir do ano de 1760 começavam as primeiras orações e novenas à Virgem da Luz, a primeira casa de oração era de taipa, mandada construir por ele onde oficializava o seu filho sacerdote, Pe. Cosme Rodrigues. Por força de lei provincial, em 29 de Novembro de 1832, foi constituído o “Distrito de Paz”, no antigo povoado derivado do Engenho Morgado. Tendo em vista o grande potencial econômico, a povoação de Guarabira foi crescendo e, em 1837, foi elevado à condição de Vila, desmembrada do território de Bananeiras e renomeada ao nome de Independência, através da Lei Provincial n.º 17 de 7 de Abril de 1837, instalando-se efetivamente no dia 11 de novembro do mesmo ano. Vinte anos depois, no dia 10 de outubro de 1857, foi criado a Comarca de Guarabira, desmembrando-se de Areia, do qual continuara pertencendo. Devido a questões políticas, um ano depois a nova comarca após extinta, e restaurada em 1870. Novamente extinta em 1871 e definitivamente restabelecida, a 25 de Julho desse mesmo ano.
Em 1874, tendo as terras um grande avanço comercial, foi atingida assim como muitas cidades do Nordeste Brasileiro, pela conhecida invasão dos “Quebra-quilos“, havendo grande depredações e revoltas, preocupando fortemente as autoridades provinciais da época, pois vilas inteiras do Nordeste aderiram à rebelião contra o decreto que impunha a implantação de um novo sistema métrico, com seus habitantes saqueando feiras e destruindo pesos e medidas do comércio. Após as forças militares conseguirem pacificar a região, sem necessidade de confrontos mais sérios, algumas vilas foram erigidas para melhor administrar as cidades, e, por força da lei provincial nº 841, de 26 de novembro de 1887, foi elevada de Vila à categoria de cidade, sendo rebatizada pelo nome originalmente conhecido de “GUARABIRA”, com seu comércio e sua força, até hoje é considerada uma das maiores do estado. Importante destacar que o munícipio tinha uma microrregião específica que levara seu nome, mas que culturalmente, regionalmente e historicamente sempre fez junção à microrregião do brejo paraibano, ambas pertencente a antiga definição do IBGE de agreste paraibano, assim como Campina Grande, Esperança, Itabaiana, Curimataús e outros. Hoje, porém, as duas microrregiões estão unidas na nova definição do órgão rebatizadas de regiões intermediárias e imediatas. O Brejo Paraibano hoje é definido como região turística pelo Ministério do Turismo, levado pelas cidades do estremo oriental do agreste paraibano, tendo cidades serranas, como Areia e Bananeiras por exemplo e no piemonte da borborema, como Guarabira, Alagoinha e Alagoa Grande e outras, integrantes do mapa de regionalização do turismo brasileiro.
A HISTÓRIA DO TREM - A primeira concessão
A princesa Isabel, em 15 de dezembro de 1871, assinou o Decreto nº 4.838, concedendo aos conselheiros Diogo Velho Cavalcanti de Albuquerque, deputado geral Anísio Salatiel Carneiro da Cunha e André Rebouças, o privilégio de construir e explorar a The Conde D'Eu Railway Company limited, ligando a sede da Província à vila de Alagoa Grande, com ramais para as de Ingá e Independência (Hoje, Guarabira). Essa concessão não vingou. Em 1880, foi iniciada a construção da estrada de ferro. O historiador Horácio Almeida registra que “o progresso entrou na Paraíba pela linha de ferro. Por onde apitava o trem uma emoção nova nascia: a do progresso econômico, mas foi coisa de pouca monta, porque a área beneficiada era demasiado exígua”.
Em 1881, foi inaugurado um trecho de 30 km ligando Parahyba do Norte (João Pessoa) à localidade Entroncamento (Paula Cavalcanti) no município de Cruz do Espírito Santo.
A república e a GWBR
Aonde o trem chegava, a vida mudava. De Entroncamento, a estrada se bifurcava para o norte, chegando até Camarazal (Mulungu), em 7 de Setembro de 1883, e em 5 de Julho de 1884, à Independência (Guarabira), de onde prosseguiu para Nova Cruz, no Rio Grande do Norte, em 1 de Janeiro de 1904, e daí, até Natal. Ao sul, parou na estação de Pilar, em 28 de Dezembro de 1883.
Houve maior demora em fazer a ligação da capital ao porto do Cabedelo, numa extensão de apenas 18 km, realizada em 25 de Março de 1889. Proclamada a República, os trabalhos pararam. O único trecho construído em onze anos do regime republicano foi o de Camarazal a Alagoa Grande, inaugurado em 1 de Julho de 1901, numa extensão aproximada de 25 km.
Em julho de 1901, o Governo Federal arrendou a ferrovia à empresa inglesa GWBR (Great Western of Brazil Railway), que construiu um ramal de Pilar a Timbaúba em Pernambuco, passando por Itabaiana, com sua estação inaugurada em 5 de Janeiro de 1901. Completou o trecho de Guarabira a Nova Cruz, no Rio Grande do Norte em 1 de janeiro de 1904.
Em 2 de Outubro de 1907, o trem chegou a Campina Grande, vindo de Itabaiana. Sendo conhecido a partir de então como Ramal Itabayana - Campina Grande.
A inauguração da estação de Campina Grande impulsionou a cidade ao progresso e ao desenvolvimento, alcançando o status de “maior cidade do interior do estado” e posteriormente do interior do Norte – Nordeste.
A estrada de ferro onde fazia ponta dava vida ao lugar. Se passava adiante, levava consigo o progresso. Itabaiana cresceu quando o trem ali chegou. Estacionou, senão decresceu, quando os trilhos se prolongaram até Campina Grande. Os lugares que ficavam marginalizados, ao longo da estrada, sem vias de acesso, como Mamanguape e Areia, caíram estagnados.
Os ramais do Brejo e do Sertão
Na década de dez e vinte foram realizados o prolongamento do ramal do Brejo, inicialmente a estrada de ferro iria de Guarabira até Picuí no Seridó paraibano, era a "Estrada de Ferro Independência - Picuhy", mas as obras foram suspensas e o ramal chegou até Bananeiras. Isto depois de muito esforço, principalmente por parte do Governador do estado na época o Sr. Sólon de Lucena que era de Bananeiras. O governador disse na época que “o trem chegaria a Bananeiras nem que fosse por baixo da terra”. Devido à construção do Túnel da Serra da Viração que foi de 1921 a 1923. De fato a estação de Bananeiras foi construída antes da conclusão deste túnel, e inaugurada oficialmente em 30 de Julho de 1925 (apesar de estar pronto alguns anos antes). Foram quinze anos em um trecho de apenas 35 Km para chegar a Bananeiras, que infelizmente não prosseguiu em direção a Picuí como era o projeto original.
No Sertão do estado foi aberta também na década de vinte o ramal da Paraíba, que saia do Ceará. O ramal da Paraíba foi aberto ao tráfego entre 1923 e 1926, partindo da estação de Arrojado no Ceará, na linha da antiga E. F. Baturité, construída em 1922 especialmente para dar partida para os trens do ramal. Entrava pela Paraíba em Santa Helena, onde foi construído o acampamento dos trabalhadores, seguia em destino a São João do Rio do Peixe e Cajazeiras, cujo o ramal entre estas últimas localidades foi inaugurado no dia 5 de agosto de 1923. Este ficou encarregado pelo antigo IFOCS (Inspectoria Federal de Obras Contra as Seccas), posteriormente mudado para o atual DNOCS.
O ramal Ceará - Parahyba prosseguiu até a cidade de Sousa, cuja estação foi inaugurada oficialmente em 13 de Maio de 1926 pela RVC (Rede de Viação Cearense), que gerenciava a malha. Em Sousa, a partir de 1951, encontrou-se também a Estrada de Ferro Mossoró-Souza, unindo enfim os sertões potiguar, paraibano e cearense, concretizando um sonho de décadas.
O ramal da Paraíba ainda foi prolongado até Pombal, inaugurada em 25 de outubro de 1932 e Patos em 19 de abril de 1944.
Em 8 de fevereiro de 1958, um antigo sonho foi concretizado. Enfim, foi concluída entre Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte e Pernambuco, através da inauguração do trecho Campina Grande - Patos.
O TREM QUE CHEGOU!
Aquele 4 de junho de 1884 marcou a consolidação da então companhia The Conde D'Eu Railway Company Limited em expandir sua linha em direção ao interior da então Província de Parahyba do Norte, na florescente cidade de Guarabira, denominada a "Rainha do Brejo". Este título foi conquistado através do desenvolvimento decorrente a implantação da linha férrea a localidade, se transformando a partir de então, no mais importante centro polarizador e econômico da região do Brejo paraibano.
Foi um dia de comemorações por parte da população local, que enfim, estava ligada por via férrea, Independência até a Capital da Província, Parahyba. Esta ligação facilitaria aos comerciantes locais exportarem seus produtos dos mais variados tipos, dentre eles, o café, que na época era muito abundante no Brejo paraibano, algodão, fumo, entre outros.
Para celebrar esta data tão importante, trago aqui incríveis reportagens da época. Dentre o órgão que noticiou o ato inaugural com mais conteúdo, destaca-se o jornal Diario da Parahyba. Este saudoso órgão jornalístico, fundado no mesmo ano de 1884, trouxe ótimas matérias, lançadas nos dias 6 de 7 de junho, com detalhes da festa de inauguração do referido trecho principal da The Conde D'Eu Railway Company. Além de trazer uma tabela de horários da companhia, saída na edição de 3 de junho, véspera da inauguração.
Anos se passaram, e vinte anos depois de sua inauguração, em 1 de janeiro de 1904, Guarabira deixou de ser ponta de trilho, quando foi inaugurado o trecho até o Rio Grande do Norte, como ficou conhecido na época de Ramal Natal - Independência.
No final da década de 1970, o trem de passageiros deixou de existir entre Paraíba e o Rio Grande do Norte (neste trecho, já que o Ramal Mossoró a Sousa, no Sertão, funcionou até o início da década de 1990).
FONTE DE PESQUISAS: Arcevo, com Site História da Ferrovia Paraibana